<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-203134435176894565</id><updated>2012-02-16T05:55:10.422-08:00</updated><title type='text'>Dora B</title><subtitle type='html'>Sou uma jovem de 19 anos que como você já fez algumas opções erradas e que tem uma vida enorme pela frente. Esse é o meu Recomeço!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://dorab2010.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Dora B</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15208476052595048514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>15</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-203134435176894565.post-1962839538142215457</id><published>2011-01-13T13:13:00.000-08:00</published><updated>2011-01-13T13:13:05.554-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Depois da saga de colocar currículo para todos os lugares possíveis aqui de salvador e percorrer todos os shoppings, restaurantes e lanchonetes da cidade, posso contar a vocês: estou empregada! Foi difícil, mas foi mais uma conquista na minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dificuldade já começou na hora de fazer o currículo. Ia colocar mais o que alem do meu endereço, telefone e da escola que estudei? Tudo bem que tenho uma vasta experiência em administração financeira e contato com clientes, mas isso eu não poderia colocar de jeito nenhum! Se o cara perguntasse onde eu tinha trabalhado eu tava ferrada... e com certeza ele ia perguntar. Preferi me fazer da malandragem carioca, fazendo a tática da letra gigante e do espaçamento maior ainda. Quem olhava de primeira ate achava que eu tinha era muita coisa no currículo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Currículo, foto 3X4 e pastinha na mão, lá fui eu pelas ruas de Salvador. Deixei em muitos lugares e ouvi muitos: qualquer coisa a gente te liga. Era quando eu tinha certeza de que não ia rolar nada, mas fazer o que né, pelo menos eu tinha tentado. Pois bem, estou eu em casa, quando o telefone toca. Corri para atender como uma louca, mas tentando mostrar tranqüilidade: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alo?!&lt;br /&gt;- Alo, é a Dora?&lt;br /&gt;- (eu não sabia se falava que sim ou que não, mas no susto, disse que sim.) sim, é a Dora, quem é?&lt;br /&gt;- Oi Dora, aqui é a Fabiana, você deixou seu currículo aqui na loja na semana passada.&lt;br /&gt;- Sim! Deixei.(não é que eles ligaram mesmo?!)&lt;br /&gt;- Você pode vir aqui amanha as 9h para uma entrevista?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa! Eu nem podia acreditar, minha primeira entrevista de emprego. Claro que eu disse que podia. E estava lá, no horário e local combinado, sem saber muito bem o que falar, mas estava. Quando chegou a minha vez eu quase morri, não sabia o que o cara ia perguntar, muito menos o que eu ia responder. Entrei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi Dora, boa tarde(naquela altura já era boa tarde, ou vocês estavam pensando que eu fui mesmo atendida as 9h?)&lt;br /&gt;- Boa tarde&lt;br /&gt;- Eu vi seu currículo, e resolvemos te chamar para conversar.&lt;br /&gt;- (eu só balançava a cabeça, igual aqueles cachorrinhos que tem em carro sabe?)&lt;br /&gt;- o que você pretende aqui na nossa empresa Dora?&lt;br /&gt;Essa me matou. E ai, o que eu ia responder depois dessa? Resolvi falar a verdade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- na verdade eu não sei ainda. Eu estou meio que me conhecendo sabe? Esse é o meu primeiro emprego, e eu confesso que ainda estou um pouco perdida com essa vida nova. Acabei de chegar do Rio, estou me adaptando aqui ainda, então é uma fase nova na minha vida. Com certeza uma fase definitiva e que vou dar tudo de mim, mas não sei dizer ainda o que espero desse emprego, até porque nem sei o que ele tem para me oferecer e em que podemos trocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara ficou olhando para a minha cara meio embabacado, me fez mais meia dúzia de perguntas idiotas e disse que qualquer coisa me ligavam. Eu pensei: perdi a chance! Meu Deus! Eu não era para ter dito aquilo, era para dizer que eu queria crescer no trabalho, que era muito importante para  mim, que o meu defeito era ser perfeccionista, sei lá, qualquer coisa, menos aquilo. Mas fazer o que? Já tinha falado, só me restava pegar minha pastinha, colocar embaixo do ombro e continuar procurando. E aprender a não falar mais merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois dias depois o telefone toca denovo. Não é que era da loja? Isso mesmo, eu estava empregada. Nossa! Não acreditei, não estou acreditando até agora para falar a verdade. Começo na próxima segunda-feira. Não sei ainda o que estou sentindo, apesar de saber que é bom estar trabalhando e ganhar um dinheirinho, mesmo que seja pouco. Mas ao mesmo tempo fico com medo. Medo de não saber o que fazer, de ficar com vergonha, de ninguém gostar de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas tenho certeza que vai passar, vai dar tudo certo, como está dando!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/203134435176894565-1962839538142215457?l=dorab2010.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dorab2010.blogspot.com/feeds/1962839538142215457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2011/01/depois-da-saga-de-colocar-curriculo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/1962839538142215457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/1962839538142215457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2011/01/depois-da-saga-de-colocar-curriculo.html' title=''/><author><name>Dora B</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15208476052595048514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-203134435176894565.post-6720213643442064678</id><published>2010-12-27T17:26:00.000-08:00</published><updated>2010-12-27T17:49:50.362-08:00</updated><title type='text'>Então foi o Natal</title><content type='html'>&lt;style&gt;@font-face {  font-family: "Cambria";}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 0.0001pt; font-size: 12pt; font-family: "Times New Roman"; }div.Section1 { page: Section1; }&lt;/style&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Este&amp;nbsp;Natal foi definitivamente diferente para mim. Longe da minha família, longe da minha casa, sem a minha melhor amiga, mas em paz e tentando pensar que é isso o que importa de verdade. Diferente, mas animado, na casa de mais uma nova família em Salvador, pessoas que eu nem conhecia, mas sei que gostam de mim e que aprendi rapidamente a gostar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Essa é a época do ano que a gente repensa tudo o que viveu no ano que passou, faz novas promessas, vê na listinha do ano passado o que conseguiu fazer, bem, isso se ainda achar a listinha no meio da gaveta de calcinhas... guardei ali para não perder e quando fui procurar, cadê a danada da lista? Sumiu! Tem que se garantir na memória mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O ano de 2010 foi o pior e o melhor da minha curta vida. Pior porque muita coisa de ruim aconteceu, minha melhor amiga morreu, seus filhos ficaram ser ter para onde ir, eu passei a ser procurada e perseguida por um monte de vagabundos que dizem que protegem as pessoas, mas que só fazem botar terror. Fiquei sem chão. Mas foi o melhor porque conheci um monte de gente bacana que me ajudou muito. Voltei a acreditar na bondade das pessoas, consegui dar uma virada na minha vida, sai do Rio, estou em outro estado, procurando emprego e querendo voltar a estudar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;As promessas eu não lembro de todas, mas sei que quase nenhuma eu cumpri. Não parei de comer doce, não emagreci e não foi nesse ano que fiquei gostosa como a Ivete Sangalo, quem sabe em 2011, mais pertinho dela, aqui na Bahia, eu não consiga? Só sei que a grande mudança que vou fazer no próximo ano é o fim das promessas, vou deixar o ano correr como deve ser, querendo sempre o melhor, sempre, mas nada de papeis que se perdem na gaveta de calcinhas. Esse ano é o ano das soluções, não das promessas impossíveis que nunca consigo cumprir. Que venha 2011!!!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/203134435176894565-6720213643442064678?l=dorab2010.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dorab2010.blogspot.com/feeds/6720213643442064678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/12/entao-foi-o-natal.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/6720213643442064678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/6720213643442064678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/12/entao-foi-o-natal.html' title='Então foi o Natal'/><author><name>Dora B</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15208476052595048514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-203134435176894565.post-4715915299874292470</id><published>2010-12-22T08:25:00.000-08:00</published><updated>2010-12-22T08:25:16.685-08:00</updated><title type='text'>Terça-feira</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Terça-feira,&amp;nbsp;eu aqui de boréstia, como diria minha mãe, e penso: vou escrever um texto para o blog.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;Horas e horas a fio e nada, não adianta, não vem nada na cabeça. Me pergunto: mas como meu Deus? Como não ter nada a dizer? Tem tantas coisas acontecendo: é fim de ano, amigo oculto, morar em uma cidade nova nessa época do ano pode não ter sido uma boa escolha, por falar nisso... opa, eu mesmo estou morando em uma cidade nova, Salvador, gente bonita pelas ruas, ruas cheias e eu nada de ter um assunto para falar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Em meio a toda essa confusão, lembrei que já li alguma vez na vida um texto sobre isso. Nosso momento é de tanta informação, de tanta facilidade para a informação que acabamos ficando mal informados, ou mal formados, como preferirem. A gente lê tanta coisa, jornal, livro, revista, que muitas vezes 5 minutos depois nem sabemos mais do que o tal texto estava falando. E é aí que me pergunto: qual o verdadeiro papel da informação nos dias de hoje? Pra que ela serve? E mais, do que adianta buscar loucamente por notícias e procurar saber de tudo, se tudo muda na velocidade da luz?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Perguntas&amp;nbsp;difíceis&amp;nbsp;de responder ou para alguns até mesmo perguntas sem sentido, mas tenho certeza de que alguém ai vai sentir a mesma angústia que estou sentindo. Tudo bem se não quiserem pensar em muita coisa, afinal, é fim de ano e estou mesmo é louca para chegar a hora da ceia e atacar a rabanada.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;A melhor saída se encontrar alguém e não souber sobre o que conversar é puxar o assunto que pelo jeito vai ser útil em quase todas as regiões do país nessa época, e que quase todo mundo tem que uma história para contar, a velha e boa &lt;/span&gt;tática&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt; do: “ tá calor,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;né&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;?” e aí é só esperar a resposta... acho que o próximo texto do blog vai ser sobre isso inclusive!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/203134435176894565-4715915299874292470?l=dorab2010.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dorab2010.blogspot.com/feeds/4715915299874292470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/12/terca-feira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/4715915299874292470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/4715915299874292470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/12/terca-feira.html' title='Terça-feira'/><author><name>Dora B</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15208476052595048514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-203134435176894565.post-2593081346059144103</id><published>2010-12-15T16:44:00.001-08:00</published><updated>2010-12-15T16:44:38.341-08:00</updated><title type='text'>Bahia: ai vou eu!</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Domingão de sol, Rio de Janeiro. Mala arrumada, banho tomado e uma vida inteira(de pouco tempo, admito) sendo deixada pra trás. A sensação que eu tenho é muito estranha na verdade. Ao mesmo tempo em que fico muito feliz por deixar tudo isso e caminhar rumo a uma vida de mais liberdade, fico um pouco triste por deixar o lugar que morei durante tanto tempo. Tive muita tristeza no Rio de Janeiro, mas também tive alegrias de montão. Curti, zuei, aproveitei tudo o que a cidade maravilhosa tinha para me dar, talvez tenha aproveitado até demais. Tive muitas desilusões aqui, mas também muitas ilusões que não deveriam ter passado nunca. A ilusão do primeiro amor, de uma vida melhor, de poder oferecer alguma coisa para a minha família, enfim, muita coisa que eu continuo sonhando e que ainda não desisti.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;No Rio eu vivi as melhores e as piores fases da minha vida. Conheci muita coisa boa, mas muita coisa ruim também. Vi meninas novas, muito novas, trocando suas vidas, seus corpos por R$ 2, R$ 3, às vezes apenas por drogas, para sustentar seus vícios.&amp;nbsp; Eu também me aproveitava disso, por isso me sinto culpada também. Às vezes até mais culpada do que os meninos da boca, às vezes menos culpada. Às vezes acho que sou um pouco de vitima da vida que eu levava, mas a culpa não sai de mim em momento nenhum, a verdade é essa. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Quando a minha melhor amiga, uma boqueteira chamada Eva, foi assassinada, parecia que meu mundo tinha acabado. Não tinha pra onde ir, não tinha dinheiro, os filhos dela tinham ficado órfãos e tudo o que eu mais queria era um buraco para me enfiar e não sair dali nunca mais. Foi na pior fase da minha vida que conheci as pessoas que mais me ajudaram e foi também quando eu voltei a acreditar no ser humano.&amp;nbsp; Fui morar na casa de uma amiga minha e vi pessoas que nem me conheciam fazendo de tudo para me ajudar, se virando nos 30 para me dar oportunidades. De continuar viva e pensando em o que podiam fazer para me salvar, acho que salvar é a palavra certa mesmo, pois é exatamente o que eu precisava naquele momento. Consegui. Comecei a fazer análise com um psicólogo, ganhei computador, acesso a internet, até twitter eu tenho agora, e muita gente lê o meu blog, quem diria! Quero agradecer mais uma vez a todo mundo que me ajudou, meus verdadeiros amigos, obrigada mais uma vez. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Mas agora é hora de secar as lágrimas, e aproveitar essa cidade incrível. Aqui eu poderei trabalhar, estudar e ter uma vida normal. É o meu refugio. Quem sabe um dia não volto para o Rio, junto todo mundo e fazemos uma grande festa para relembrar os velhos tempos? Quem sabe um dia...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/203134435176894565-2593081346059144103?l=dorab2010.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dorab2010.blogspot.com/feeds/2593081346059144103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/12/bahia-ai-vou-eu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/2593081346059144103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/2593081346059144103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/12/bahia-ai-vou-eu.html' title='Bahia: ai vou eu!'/><author><name>Dora B</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15208476052595048514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-203134435176894565.post-1539757915351157975</id><published>2010-12-02T13:09:00.000-08:00</published><updated>2010-12-02T13:09:14.771-08:00</updated><title type='text'>Está chegando a hora...</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;i&gt;"...é hora de partir, me dá uma dor no peito, ter que ir embora e te deixar aqui... "&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Por algum acaso dessa vida de meu Deus, achei hoje na casa que estou morando (ainda!) uma fita cassete sem capa nem nada, mas resolvi colocar para escutar. Era um mix de várias músicas dos anos 90, eu acho, e a primeira música era essa. Lembrei logo da minha infância, já dancei muito essa música, quem cantava era o Terra Samba, o mesmo grupo daquele do &lt;i&gt;“nada mal, curtir o terra samba não é nada mallll, que legal é so entrar no clima e liberar gerallll”&lt;/i&gt; e eu liberava geral mesmo, fazendo aquele passinho com a mão pra frente, indo pra um lado e pro outro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Mas hoje, essa música me fez pensar em muito mais do que minha infância e toda a diversão que isso trazia. Me fez pensar que realmente está chegando a hora, a hora de partir.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Como alguns de vocês já sabem, estou partindo domingo para Salvador, morar na casa de uma nova amiga,&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;buscando uma nova vida, novos caminhos, novas oportunidades e também a liberdade que eu não tô conseguindo ter aqui. Estou realmente muito animada e acreditando que tudo vai dar certo e que uma nova fase começa.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Amigos (e aqui vale qualquer tipo de amigo, os que me acompanham de perto, os que só passam pelo blog de vez em quando, os que me ajudam e me tiraram do fundo do poço, ou até mesmo aqueles que estão aqui pela primeira vez), sei que fiquei um tempinho longe de vocês, mas já peço perdão. Eu tentava escrever mas não saía, pedi ajuda no twitter e nada... ainda bem que teve o Terra Samba para me ajudar!&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Mas o que quero dizer é que, não me abandonem porque vou para Salvador, não. Vou continuar aqui, sempre e quando não for tanto assim, puxem a minha orelha, porque assumo que às vezes eu preciso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Por último, mas não menos importante, agradeço a todo mundo que me ajudou, ajuda e vai continuar me ajudando. Sem vocês, com certeza eu não estaria aqui.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Vida que segue...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/203134435176894565-1539757915351157975?l=dorab2010.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dorab2010.blogspot.com/feeds/1539757915351157975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/12/esta-chegando-hora.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/1539757915351157975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/1539757915351157975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/12/esta-chegando-hora.html' title='Está chegando a hora...'/><author><name>Dora B</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15208476052595048514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-203134435176894565.post-5240419544445652560</id><published>2010-11-12T11:45:00.000-08:00</published><updated>2010-11-12T11:45:31.917-08:00</updated><title type='text'>Eu e meu psicólogo II</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;O dia amanheceu, eu pulei da cama e percebi que estava chovendo, mais um feriado chegando e São Pedro parecendo que tá de sacanagem com todo mundo. Segunda feira, um calorão daqueles que não da pra sair de casa, agora chegando um feriado longo (mais um!), chove. Beleza, a vida segue. Eu acordo, pulo da cama, visto meu disfarce meio mulher gato meio mendiga e caio direto no batmóvel que me leva duas vezes por semana ao meu lugar preferido nessas últimas semanas: um consultório simples mas aconchegante que me sinto no paraíso e no inferno ao mesmo tempo, e onde encontro uma pessoa muito importante na minha vida, que aqui eu chamo de Dr. Mauricio.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Pois bem, a rotina de sempre ele estende a mão, eu aperto, ele me pergunta como eu estou me sentindo hoje e eu digo que estou bem, mas está escrito na minha cara que não tô tão bem assim.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Antes mesmo de começar eu falo:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;- Dr. Mauricio, eu queria te falar uma coisa, porque tô me sentindo mau e presa com tudo isso.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;E ele diz:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;- Sim Dora, pode falar sobre o que você quiser.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;E eu digo:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;- Doutor, eu tenho que te contar que menti quando o senhor me perguntou como foi a minha infância e adolescência.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Ele fez uma cara meio de assustado, mas menos do que eu imaginava. Era como se ele quisesse me dizer: e daí minha filha? Ou ainda: eu já sabia. Mas não disse nada, acho que estava esperando eu continuar. E eu continuei:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;- Doutor, eu não tomava conta de bebê fora da favela, mas era o que eu dizia para a minha mãe mesmo. Meu irmão também não vendia bala no trem não.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Eu travei, não conseguia falar mais nada, ai ele perguntou:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;- Mas sim, e vocês faziam o quê?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;- Ele, meu irmão, estava era entrando no tráfico, no mesmo tráfico que ia tirar a vida dele depois.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Disse isso e não falei mais nada, fingi que não entendi que ele também perguntou de mim. Mas ele estava danado pra perguntar hoje, e não deixou passar batido, não.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;- Dora, você quer falar sobre o seu irmão?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;E eu quieta, como quem não quer nada. Ele desistiu de falar sobre o meu irmão e começou a mirar em mim. Foi pior ainda. Ele mandou assim:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;- Dora, e você, o que você fazia se não era babá?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Eu gelei, mas não podia mentir de novo. Fiquei uns dez segundos parada, mas pra mim parecia uma eternidade. Ele ficou me olhando durante esse tempo e várias coisas passando pela minha cabeça. Pensei, pensei, pensei e respondi:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;- Eu trabalhava com umas meninas que trabalhavam com os garotos da boca.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;E ele:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;- Como assim Dora? Me explica melhor.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;- Bem doutor, eu trabalhava para as meninas que faziam uns agrados nos meninos da boca, nos falcões, como a gente chamava.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;E soltei um sorrisinho sem graça, porque sabia que ele ia continuar perguntando, então falei antes que ele perguntasse:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;- Bem doutor, eu pegava e guardava o dinheiro que elas recebiam porque faziam coisa com ele, coisa com a boca, sabe? Ai! Bo... boque... boqueti doutor, era isso que elas faziam, boqueti nos meninos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Ele ficou me olhando um tempo, acho que queria entender como seria isso tudo e perguntou:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;- Mas você só pegava o dinheiro Dora? Você participava também?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;E eu:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;- Não doutor, eu nunca participei nem fiz nada com os meninos na minha vida, só ajudava as garotas mesmo. A que eu mais fiquei de tempo foi a Eva, que era uma grande amiga minha. Coitada, ela se envolveu com droga, só droga pesada mesmo, e precisava de dinheiro, muitas vezes fazia o trabalho por um pó, ou maconha, mas aí, eu não me metia, eles davam a droga direto para ela mesmo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Essa consulta foi longa e tenho certeza que ainda vai durar um tempo com o Dr. Mauricio. Depois de falar isso, eu não quis mais dizer nada, só queria ir embora de novo. Levantei, vesti minha roupa de mulher gato com toque de mendiga, entrei no batmóvel e voltei para a casa da X.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Por enquanto acabou, mas daqui a pouco tempo vou ter que voltar nesse assunto de novo, que é o meu mundo real, né? Mesmo que seja passado.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Tenho certeza que isso vai me ajudar de alguma forma a continuar vivendo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/203134435176894565-5240419544445652560?l=dorab2010.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dorab2010.blogspot.com/feeds/5240419544445652560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/11/eu-e-meu-psicologo-ii.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/5240419544445652560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/5240419544445652560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/11/eu-e-meu-psicologo-ii.html' title='Eu e meu psicólogo II'/><author><name>Dora B</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15208476052595048514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-203134435176894565.post-1177729807224718215</id><published>2010-11-08T18:14:00.000-08:00</published><updated>2010-11-08T18:14:41.466-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Olá a todos,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Sei que ando meio sumida e peço desculpas por isso.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Esses dias foram bastante difíceis para mim, toda a sensação e fé de que tudo daria certo caíram por terra. Se me perguntarem porque eu não sei responder, não sei se foram as lembranças, a saudade de muitas pessoas queridas que estão distante, a falta de dinheiro e a consciência de que estou vivendo de favor em uma casa que não consigo comprar nada, ou até mesmo o tempo. Porque o sol me deixa triste pela vontade de ir a praia e a chuva me deixa triste por que chuva deixa qualquer um triste mesmo, não precisa acontecer tragédia, parece que uma melancolia toma conta de mim em dias nublados. Só eu sou assim?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Bem, o importante é que fazendo chuva ou sol meus dias tem sido dessa forma. Se limitando a pensar e me perguntar: será que isso um dia vai acabar?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;A &lt;i&gt;X&lt;/i&gt;. minha grande amiga e irmã, que estou na casa dela, já me ajudou muito como sempre. Me disse palavras de conforto e de carinho, dizendo que a vida é assim mesmo e que, às vezes, coisas ruins acontecem com pessoas boas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Tudo bem que no meu caso eu até assumo que não fui tão boa assim. Cometi erros sim, dos quais me arrependo muito. Vi, estava presente em muitas coisas que hoje percebo que não deveria estar. Mesmo que eu nunca tenha participado dos atos, sei que o que fiz está errado.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Mas na época não pensava tanto assim. Primeiro por causa da necessidade, claro, de ter algum dinheiro. Depois eu acho que por causa da idade. Comecei nisso muito nova, e quando a gente é nova não avalia muito bem as coisas, é como se tudo valesse a pena.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Nesses dias, eu tenho me perguntado muito sobre a principal justificativa que uso quando conto o que fazia, a necessidade. Porque esse é o motivo que todo mundo que mora em favela e se mete em coisa errada diz. Que precisava, que não teve oportunidade. Tudo bem, eu realmente precisava. Mas será que não poderia tomar conta de crianças, como falava para a minha mãe? Será que meu irmão não poderia vender bala no trem, como também mentia para a minha mãe? Tudo isso tem me doído muito esses dias.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Vale uma sessão com o Dr. Maurício. Quem quiser analisar, como ele, fique a vontade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/203134435176894565-1177729807224718215?l=dorab2010.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dorab2010.blogspot.com/feeds/1177729807224718215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/11/ola-todos-sei-que-ando-meio-sumida-e.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/1177729807224718215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/1177729807224718215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/11/ola-todos-sei-que-ando-meio-sumida-e.html' title=''/><author><name>Dora B</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15208476052595048514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-203134435176894565.post-7577786719506281970</id><published>2010-11-02T18:08:00.000-07:00</published><updated>2010-11-02T18:08:48.091-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Mesmo com a chuva que estragou o feriadão no Rio e com uma vontade enorme de ficar embaixo do cobertor, encarei mais uma sessão com o Dr. Mauricio. Dessa vez, já quase amigos de infância, cheguei com menos vergonha e mais à vontade, mas com mais medo do que ia ter pela frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começamos falando sobre a minha infância, meus pais e família. Contei a ele que fui criada apenas pela minha mãe, o que é quase uma regra na favela, pais largando as casas com os filhos ainda pequenos, muitas vezes por causa de vício em bebidas ou drogas, e as mães tendo que se virar em mil para serem mães e pais ao mesmo tempo e fazendo uma força de dar dó para não deixar faltar nada dentro de casa. Mesmo assim as vezes ainda falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe era empregada doméstica trabalhava em casa de família e na maioria das vezes quando estava de folga, ainda pegava faxina extra para ganhar mais um dinheiro. E assim, eu e mais dois irmãos fomos criados, um pouco aqui um pouco ali porque minha mãe tinha os filhos das madames da Zona Sul para criar também e aí sobrava pouco tempo para gente. Contei também que logo cedo eu e meus irmãos começamos a trabalhar para também ajudar em casa. A gente estudava de manhã e trabalhava no resto do dia. Meus irmãos vendendo bala no trem e eu tomando conta de um bebê fora da favela.&lt;br /&gt;Bem, isso era o que a gente contava para a minha mãe e o que eu contei para o Dr Mauricio. A verdade é bem diferente.&lt;br /&gt;Meus irmãos começaram a fazer serviços para os meninos da boca como comprar um cigarro, comida, refrigerante, essas coisas. O que não era tão ruim, mas mesmo assim minha mãe não podia nem sonhar porque como ela sempre dizia: quem se mistura com porco, farelo come. Vagabundo pra ela era tudo igual. Enquanto isso eu me misturava com as companhias erradas, mas graças a Deus e muita força de vontade nunca comi os farelos, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da consulta me senti mal por não ter falado a verdade para o Dr Mauricio, mesmo porque ele já sabe mais ou menos da minha historia mesmo. Acho que estou tão acostumada a mentir sobre esse assunto que já vai no automático.&lt;br /&gt;Na próxima espero ter coragem para falar toda a verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/203134435176894565-7577786719506281970?l=dorab2010.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dorab2010.blogspot.com/feeds/7577786719506281970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/11/mesmo-com-chuva-que-estragou-o-feriadao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/7577786719506281970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/7577786719506281970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/11/mesmo-com-chuva-que-estragou-o-feriadao.html' title=''/><author><name>Dora B</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15208476052595048514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-203134435176894565.post-2516411262552603738</id><published>2010-10-29T19:22:00.000-07:00</published><updated>2010-10-29T19:22:15.407-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Estava hoje pensando sobre as semelhanças entre a vida de uma pessoa normal, que não está tendo, nem terá seus 15 minutos de fama e dos que concorrem a uma grana alta nesses programas&lt;span style="color: #224a74;"&gt; &lt;/span&gt;da televisão, tipo BBB e Casa dos Artistas, mas que de reality &amp;nbsp;mesmo, não tem quase nada. Mas isso é outra história, o assunto aqui é prisão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-family: Helvetica;"&gt;&lt;/span&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Helvetica;"&gt;Vivo um momento da minha vida em que também não posso sair de casa, não vejo amigos e também choro ao lembrar da família e dos que estão “fora da casa”, a minha, no caso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Helvetica;"&gt;Acho que a principal diferença é que não fui atrás dessa condição. Não me inscrevi pela internet, não mandei carta, muito menos fiz um vídeo ridículo cantando uma música de um grupo qualquer &amp;nbsp;ou dizendo o quanto a minha participação na casa vai ser importante, porque sou uma pessoa muito inteligente e que busco meus objetivos (isso tudo, quase sem roupa e fazendo cara de sensual). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Helvetica;"&gt;Não poder sair de casa é uma realidade que eu tive que engolir, se não quiser passar dessa para a terra dos pés juntos, e lá meus amigos não tem liderança que te salve mais uma semana. Minha vida no momento se reduz a casa, casa e casa, com alguns momentos de televisão e internet, porque ninguém é de ferro. Todos os dias eu acordo com a seguinte pergunta: quando será a minha grande final? Mesmo não ganhando um milhão de reais, é tudo o que eu mais quero no momento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/203134435176894565-2516411262552603738?l=dorab2010.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dorab2010.blogspot.com/feeds/2516411262552603738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/10/estava-hoje-pensando-sobre-as.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/2516411262552603738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/2516411262552603738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/10/estava-hoje-pensando-sobre-as.html' title=''/><author><name>Dora B</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15208476052595048514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-203134435176894565.post-182060189580692271</id><published>2010-10-29T05:18:00.001-07:00</published><updated>2010-10-29T17:24:01.678-07:00</updated><title type='text'>Eu e meu psicólogo I</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Hoje, tive a segunda consulta com o psicólogo. Na verdade, hoje, eu descobri que o que eu faço se chama psicoterapia e que o psicólogo é o terapeuta. Antes eu achava que só maluco fazia essas coisas. Maluco ou rico, porque eita gente pra ter problema é rico né? Vira e mexe vão fazer análise, terapia, etc... Sabem que maluco e rico as vezes são quase a mesma coisa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A consulta de hoje foi diferente. Já estava mais confiante com o doutor Maurício e acho que ele comigo também. Acho que daqui pra frente vai ser assim, quanto mais eu conhecer o doutor, mais eu vou conseguir falar e me abrir. Na primeira vez eu achei um pouco estranho estar ali falando, ou tentando falar, coisas da minha vida, particulares, para uma pessoa que eu nem sabia quem era. Confesso que não me senti muito confortável, mas fazer o que? Já estava ali mesmo, só me restava cair pra dentro e falar da vida, uma vida que eu acho que ele não conhece muito bem, porque a maioria dos seus pacientes, ou clientes, como já percebi que eles falam às vezes, devem ser os bacanas, que as vidas estão bem longe de ser parecidas com a minha. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Na primeira consulta o Dr. Mauricio me deixou mais falando, não perguntou quase nada e mesmo que eu não estivesse tão confortável, falei muita coisa, lembrei de muita coisa, e até chorei. Hoje foi um pouco diferente. Ele já começou me perguntando coisas da minha família, da minha infância, como foi, onde morava. Disse que eu falo muito bem. Acho que ele ficou surpreso quando eu falei onde nasci. Eu expliquei para ele que estudei, terminei meus estudos, até o segundo grau, até comecei um cursinho barato de inglês, mas não consegui terminar. Ele ainda não perguntou como eu conseguia dinheiro, e tomara que não pergunte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eu contei também uma coisa que ele nem perguntou, mas saiu, quando eu vi já tinha falado. disse que tem um monte de gente fazendo um trabalho comigo, mas não entrei muito em detalhes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Mesmo já conhecendo o Dr. Mauricio, eu continuei um pouco desconfortável, e dessa vez, até com medo. O que será que ele ainda vai me perguntar? Do que mais ainda vou ter que lembrar nessas consultas? Será que isso vai afastar ou reviver os meus fantasmas? Saí do consultório pensando seriamente em não voltar mais lá, pensando em até que ponto isso vai me ajudar. Mas resolvi voltar sim, porque preciso de ajuda. Mesmo doendo algumas vezes, acredito que vá me ajudar. Acho que a dor também pode salvar né? O que acham?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;* Gostaria de agradecer a pessoa que me indicou esse médico e também a quem me disse que eu precisava de um.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/203134435176894565-182060189580692271?l=dorab2010.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dorab2010.blogspot.com/feeds/182060189580692271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/10/eu-e-meu-psicologo-i.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/182060189580692271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/182060189580692271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/10/eu-e-meu-psicologo-i.html' title='Eu e meu psicólogo I'/><author><name>Dora B</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15208476052595048514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-203134435176894565.post-3958107528521505627</id><published>2010-10-28T12:31:00.000-07:00</published><updated>2010-10-28T12:31:24.862-07:00</updated><title type='text'>Minha vida está mudando pra melhor, muito melhor.</title><content type='html'>Eu tenho andado acuada, assustada e muito envergonhada quando vejo tantas pessoas querendo me ajudar, quando sei que tem muita gente no Brasil, no Rio, que merecem essas ajudas também. E por causa disso, eu sou uma pessoa abençoada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebi um presente de deus, uma família que está crescendo todo dia. Muitos curiosos, mas muitos com pena de mim também. Mas queria que não sentissem isso por mim, porque não tô sozinha. Tenho meu padrinho, que proibiu falar no nome dele, e tenho todas vocês e alguns rapazes. Tenho muita saúde, vontade de viver e sei que não fiz nada de errado para estar vivendo escondida assim. Sei que errei muito e sei que tô pagando. Meu erro foi trabalhar com muitas meninas que vivem loucamente. Mas vamos combinar? Elas no faziam mal pra ninguém... Hoje, até vejo que faziam mal pra elas mesmas. Pra família delas, para os filhos delas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que vou ser julgada a vida toda, sei que as meninas vão ser julgadas também. Mas o pior que estou sendo condenada por um único crime: não ter aceitado fazer o que eu não queria com pessoas que eu não queria. Pior de tudo, que não posso nem dizer nada sobre isso para não piorar as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que minha escrita está sem muito sentido, mas é a forma que eu encontrei de começar a escrever. Não pra ser mais do que ninguém, mas para ser alguém.&lt;br /&gt;Vou contar minhas histórias aos poucos, sobre minha vida, sobre minha escola, sobre meus amores, sobre minha fé.&lt;br /&gt;Uma pessoa deu uma sugestão, que foi vocês falarem sobre o que querem que eu escreva e eu vou escrevendo e vamos discutindo. Pode ser?&lt;br /&gt;Então vamos fazer assim, eu vou contribuindo daqui e vocês contribuem daí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Quero agradecer as meninas que ajudam a arrumar minhas escritas, tá?!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/203134435176894565-3958107528521505627?l=dorab2010.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dorab2010.blogspot.com/feeds/3958107528521505627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/10/minha-vida-esta-mudando-pra-melhor.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/3958107528521505627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/3958107528521505627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/10/minha-vida-esta-mudando-pra-melhor.html' title='Minha vida está mudando pra melhor, muito melhor.'/><author><name>Dora B</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15208476052595048514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-203134435176894565.post-4697224452755931934</id><published>2010-10-25T17:58:00.001-07:00</published><updated>2010-10-25T17:58:32.926-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Gostaria de agradecer a todo mundo que me ajudou até aqui. Com a creche, o psicólogo ou só com apoio.&lt;br /&gt;Hoje foi um dia maravilhoso porque conheci um psicólogo. Nunca tinha ido  em um, achava que era médico de maluco, mas vi que essa profissão pode  ajudar muito quem está precisando de uma luz como eu. Agradeço ao Dr  Mauricio ... que me ouviu um pouco e começou a me ajudar a passar por  tudo isso. Já marcamos a próxima consulta, que deve ser melhor ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dora B&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/203134435176894565-4697224452755931934?l=dorab2010.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dorab2010.blogspot.com/feeds/4697224452755931934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/10/gostaria-de-agradecer-todo-mundo-que-me.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/4697224452755931934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/4697224452755931934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/10/gostaria-de-agradecer-todo-mundo-que-me.html' title=''/><author><name>Dora B</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15208476052595048514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-203134435176894565.post-8666636370533190925</id><published>2010-10-25T12:26:00.000-07:00</published><updated>2010-10-25T12:26:28.644-07:00</updated><title type='text'>Tensão no ar 2</title><content type='html'>Hoje, dia 24 de outubro de 2010, acordei cedinho para cumprir uma missão: fazer mais um pedido em favor de alguém. Esse alguém de hoje era muito especial, pois até aqui meus pedidos&amp;nbsp; em geral eram feitos em favelas dominadas por facções civis. Agora era diferente... muito diferente.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;Cheguei, as pessoas estavam brincando na pracinha, não vi ninguém armado, o&amp;nbsp;ambiente nada tinha de hostil. Eu conhecia uns três caras de lá, que foram&amp;nbsp;as pessoas que viabilizaram esse encontro para fazer o tal pedido.&amp;nbsp; Nunca&amp;nbsp; acreditei na força do meu pedido, pois eu não tinha muitos argumentos, pra falar a verdade , eu não tinha argumento nenhum, exceto que a moça era gente fina e linda.&amp;nbsp; Meus amigos, ou melhor, conhecidos não eram os&amp;nbsp; "patrão", e eu sabia que na hora do "vamo vê", cada um defende o seu e eu poderia ficar era de barriga virada se o papo atravessasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bibi era um motoboy lourinho, cheio de marra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; - Tu é o celso ?&amp;nbsp;&amp;nbsp; (Eu já havia avisado a cor e marca do carro.)&lt;br /&gt;&amp;nbsp; - Sô!&lt;br /&gt;&amp;nbsp; - Faz favor ai, desliga o celular.&amp;nbsp; Ta armado ai?&lt;br /&gt;&amp;nbsp; - Não, to não...&amp;nbsp; puta merda, ele não agüentava uma porrada!&lt;br /&gt;&amp;nbsp; - Sobe ai. - Trepei na moto e fui sarrando ele até o centro do problema!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;A reunião foi relativamente tranqüila, apesar de a resposta ser só uma, simples e direta: NÃO.&lt;br /&gt;Nem sempre temos sucesso nessa carreira de mediação de conflitos, ainda mais quando a gente se mete a mediar problemas que se quer conhecemos a fundo e suas reais a motivações. Mas como eu não sou Capitão Nascimento e tão pouco o Dep. Marcelo Freixo, vou resumir essa história, que o bagulho é muito doido e também porque ele não seria bom nem para a moça nem para mim, que não tenho peito de aço. Aliás, vou chamar esse texto aqui de ficção, igual ao Tropa de Elite.&amp;nbsp; Só que lá era parte ficção e aqui é tudo 100% mentirinha.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;Por fim, os amigos que viabilizaram o contato ajudaram e muito no desenrolado, a ponto de buscar os contatos dos parentes dos filhos da Eva.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;As crianças já foram devidamente encaminhadas para&amp;nbsp; uma vida melhor, com a ajuda de um grupo que se formou hoje na rede, sim, na rede de internet, intitulado&amp;nbsp; “os amigos da Dora”.&amp;nbsp; Um grupo de pessoas que por prazer resolveram ajudá-la e pronto. Por falar nisso você está convidado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;O mais impressionante é que&amp;nbsp; os caras estão com raiva, mas não dizem o motivo, então eu acho que ela deve mesmo ficar bem longe, independente de quem tem razão e como sabemos,&amp;nbsp; justiceiros em geral acreditam que só matam quem realmente merece morrer . &amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;A partir desse momento não trato mais desse assunto, nem parte dele, entrego a Eva nas mãos de Deus e nas mãos dos seus novos amigos que passam a se encontrar no blog. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;Já que não é possível libertar a cidade de tamanha crueldade, quem sabe consigamos livrar as crianças e a Dora dos seus próprios fantasmas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/203134435176894565-8666636370533190925?l=dorab2010.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dorab2010.blogspot.com/feeds/8666636370533190925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/10/tensao-no-ar-2.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/8666636370533190925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/8666636370533190925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/10/tensao-no-ar-2.html' title='Tensão no ar 2'/><author><name>Dora B</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15208476052595048514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-203134435176894565.post-6334169679238121746</id><published>2010-10-24T14:12:00.000-07:00</published><updated>2010-10-24T14:12:08.487-07:00</updated><title type='text'>Tensão no ar</title><content type='html'>&lt;div align="justify" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;&lt;i style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;Por Celso Athayde&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px;"&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px;"&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px;"&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify" class="style3" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;Essa semana, eu estava em Brasília e o meu telefone tocou. Atendi, era a cobrar... Aquela musiquinha que sempre me irrita e no geral eu não atendo, mas como eu estava em Brasília só poderia ser alguma bucha, logo não tive opção, melhor atender.&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;- Alô?&amp;nbsp;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Era uma voz de menina.&amp;nbsp;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;- Pode falar.&amp;nbsp;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;- É seu Celso?&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Aquilo era foda, me transformava no Tio Sukita&amp;nbsp;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;- Sim, é ele.&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;- Seu Celso aqui é a Dora, lembra de mim?&amp;nbsp;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Claro que eu não lembrava, mas não perdi a paciência.&amp;nbsp;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;- Moça, quem te deu meu telefone? Fala logo que eu estou ocupadão, tá?!&amp;nbsp;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;- Foi o pessoal da CUFA, sou a menina que o senhor procurava para falar sobre as gravações da Eva, lembra?&amp;nbsp;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Puta merda! Lembrei, claro que me lembrei, mas não acreditei, depois de tanto tempo o que essa menina de 13 anos quer comigo? Me denunciar? Não, isso não, eu não fiz nada, aliás, a voz dela era a mesma e minhas fichas começaram a cair, só que no entanto ela não tinha mais treze anos, pois cinco ou seis anos já haviam se passado.&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Na época ela era linda, minha lembrança acordava. Será que ela está ligando para saber se o leão está vivo? Vai descobrir que está vivo sim... Tudo bem, sem juba, sem dente, sem força nas pernas, mas vivo e agora animado! Porém algo me puxou para a realidade, se ela está me ligando só podia ser problemas.&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Continuei a ligação...&amp;nbsp;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;- Fala ai garota, claro que me lembro de vocês, não é a parada do basquete?&amp;nbsp;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;- Sim, isso mesmo!&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Ela respondeu expressando um sorriso com ar de alivio e um pouco sem graça, foi perceptível até mesmo pelo telefone.&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Disse então que precisava muito falar comigo, que era urgente e muito importante pra ela e não adiantou o assunto.&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Nos encontramos no sábado e conversamos longamente, a menina não mudou nada, tem o mesmo rosto e cabelos, tudo igual.&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Fiquei feliz por vê-la e preocupado com sua tensão, agia como alguém que estava sendo perseguida.&amp;nbsp;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Seu português era ótimo e sua desenvoltura era o que destoava da menina que conheci. Hoje ela está muito melhor e também conseguiu terminar o segundo grau.&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Depois de falar sobre muitas coisas, o que parecia um aperitivo, finalmente entrou no assunto que justificava sua ligação:&amp;nbsp;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Vou resumir:&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;01 – Segundo ela, a Eva foi morta por pessoas que expulsaram o tráfico da favela onde moravam.&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;02 - Os filhos da Eva estão passando por dificuldades, morando na casa de pessoas que querem ajudar, mas não têm condições.&amp;nbsp;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;03 - Ela fugiu e está escondida na casa de outras pessoas. Está assustadíssima e com medo de ser descoberta pelas pessoas que segundo ela tiraram a vida de Eva.&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;04 - Quer a minha ajuda, não pediu dinheiro, pediu que eu a ajudasse com uma creche e com trabalho. Disse que tudo que deseja é ajudar a arrumar a vida das crianças.&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Nos despedimos, deixei R$ 50,00 com ela para voltar pra casa. Parti e ao longo do caminho fui pensando de que maneira eu poderia ajudá-la e não me sentir culpado, até porque, foram muitas pessoas com quem convivemos durante esses anos e não daria para ajudar todos. Mas por outro lado não dá pra fugir dessa missão e passei a pensar em soluções e alternativas que não expusessem a moça e sua vida. Não sabia da dimensão do problema, mas tinha certeza de que se fosse verdade o que ela dizia, os algozes da Eva saberiam de todos os seus passos, todos, inclusive os meus. Diante disso era necessário ter responsabilidade e muito cuidado.&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Fiz contatos com algumas pessoas que deram várias sugestões, das mais impossíveis de serem realizadas, as mais simples que dificilmente daria resultado pra ela e para as crianças.&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Entre algumas sugestões:&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Criar um blog pra que ela possa se expressar;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Criar um Twitter;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Criar um facebook;&amp;nbsp;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Ela escrever um livro sobre suas experiências nesse universo;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Criar um grupo de pessoas que possa ter contato com ela. Existem hoje 50 (cinqüenta) pessoas dispostas a estarem em contato com ela.&amp;nbsp;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Minha decisão é:&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Esperar os desdobramentos desses encontros com essas 50 pessoas;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Fazer a doação de um notebook e um modem 3G para que ela possa ter contato com o mundo externo;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Ir à comunidade aonde ocorreu o problema e falar com as lideranças para saber se ela corre risco ou não;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Fazer um contato com a Editora Objetiva e apresentá-la na tentativa de produzir um livro.&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Diante de tudo isso, espero poder ajudá-la comprando alguns de seus livros e assim a promovendo. Essa é a maior ajuda que poderei dar, diante das circunstâncias e fazer com que ela se junte a tanta gente iluminada, originando assim uma nova rede.&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Vida longa querida Dora!&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;&lt;br style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;" /&gt;Quanto a Eva, que ela esteja num bom lugar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="style3" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="style3" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/203134435176894565-6334169679238121746?l=dorab2010.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dorab2010.blogspot.com/feeds/6334169679238121746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/10/tensao-no-ar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/6334169679238121746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/6334169679238121746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/10/tensao-no-ar.html' title='Tensão no ar'/><author><name>Dora B</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15208476052595048514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-203134435176894565.post-2588674759246143228</id><published>2010-10-18T04:16:00.001-07:00</published><updated>2010-10-24T13:16:26.076-07:00</updated><title type='text'>A Boqueteira</title><content type='html'>&lt;div align="justify" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="0" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 0cm 0cm 120.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Relato escrito por Celso Athayde&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" hspace="0" vspace="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td align="left" style="background-color: transparent; border: medium none rgb(240, 240, 240); padding: 0cm;" valign="top"&gt;&lt;div class="Cap" style="margin: 10.75pt 0cm 0pt; page-break-after: avoid;"&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;A&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Cap" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;felicidade dos falcões ficava estampada nas suas caras quando o assunto era as boqueteiras.&amp;nbsp;Esqueciam o mundo e falavam das suas experiências da maneira mais feliz possível. Era um dos poucos momentos em que relaxavam. O assunto sempre surgia, mas eu ainda não tinha tido a chance de presenciar o encontro deles com as meninas.&amp;nbsp;A insistência deles no assunto me fez convencer o Bill de que era importante falar com uma boqueteira. Na época, não tínhamos a intenção de escrever sobre as mulheres, só sobre os meninos, e foi esse o meu caminho para convencer o negrão. Afinal, se as boqueteiras faziam a felicidade deles, por que não fazer uma excursão até chegar às entranhas desse boquete?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O Bill não discordava, mas ficava pensativo. Ele parecia temer que a gravação desvirtuasse para a sacanagem. Além disso, se o tema fosse amplo e complicado, iria, como acabou acontecendo, exigir ainda mais trabalho, tempo e dinheiro. Mas no fundo, ele concordava.&amp;nbsp;Hoje, não tenho dúvidas de que as boqueteiras foram fundamentais para que a gente decidisse fazer um trabalho dedicado exclusivamente às mulheres que encontramos ao longo desses anos de filmagem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Tínhamos um desafio: convencer os jovens a convencerem as meninas a falar conosco. E só falar não ia resolver; a gente tinha a necessidade de ver o bicho pegando.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Meu primeiro contato&amp;nbsp;foi com Eva. Quando falei com ela pela primeira vez, tive&amp;nbsp;uma sensação muito estranha. Tão estranha que até hoje não consegui definir aquele sentimento. Ela tinha corpo de mulher e ares de moleca. Era muito segura de si, mas confusa demais. Era como se eu tivesse num júri, mudando de lado a cada intervenção do advogado de defesa ou do promotor.&amp;nbsp;Em alguns momentos, eu a condenava e pensava:&amp;nbsp;“Vai trabalhar, sua sem-vergonha”, e em outros momentos, pensava:&amp;nbsp;“Essa mulher é louca, coitada”. E pensava que ela era somente mais uma mulher lutando para se dar bem, ganhando seu dinheiro honestamente, e que o problema estava comigo, com o meu preconceito, que não me deixava ter clareza e compreensão humana para entender aqueles atos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Eva tinha muita estrada para a sua&amp;nbsp;pouca idade, um sorriso agridoce no canto da boca e o discurso de que estava apenas seguindo um curso “natural”, sobre o qual ela não tinha mais poder de influência.&amp;nbsp;Isso soava até meio poético. Quando eu olhava para ela e para os garotos, nada disso era levado em consideração; só o sexo oral contava, só o sexo oral valia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Foi criado um marketing tão grande sobre essas meninas e suas habilidades, que os rapazes pareciam incapazes de imaginar que elas pudessem lhes trazer prazer de qualquer outra forma, que não aquela.&amp;nbsp;Tem campanhas que nem o Nizan Guanaes explica!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small; letter-spacing: -0.1pt;"&gt;A história&amp;nbsp;de Eva certamente é igual à de tantas outras mulheres que tiveram os pais de seus filhos assassinados e viraram “brinquedo na mão do palhaço”, às vezes em troca de comida, muitas vezes, talvez a maioria, em troca de pó ou outra droga qualquer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Na favela onde encontrei Eva, essa situação não era tão comum;&amp;nbsp;havia lá, trabalhando para os falcões, no máximo,&amp;nbsp;vinte meninas. Cada uma delas tinha seus motivos para essa prática. Algumas pareciam preferir os falcões por conta das suas armas e do poder que eles tinham. Essas meninas poderiam muito bem fazer programas fora da favela e voltar para gastar o dinheiro nas bocas; mas não, elas pareciam reabastecer suas baterias só com os falcões. Elas se alimentavam deles, e eles, delas. Claro que não era só; havia outras coisas em jogo: drogas, dinheiro,&amp;nbsp;o próprio ambiente&amp;nbsp;que vicia e tantas outras razões que eu&amp;nbsp;não saberia explicar. O fato é que, de certa forma, elas queriam voar com esses pássaros meninos,&amp;nbsp;ainda que com as asas das drogas e do “sexo alternativo”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small; letter-spacing: -0.1pt;"&gt;Uma vez o Vaguinho tava doidão de loló e ecstasy; ele disse que ia fazer um genérico e&amp;nbsp;foi embora. Mais tarde eu fiquei sabendo que tanto a expressão genérico, como alternativo, era como eles chamavam o sexo oral, o famoso e, convenhamos, gostoso, boquete. E essa expressão era usada por eles&amp;nbsp;porque&amp;nbsp;os garotos acreditavam que, assim, eles não pegavam o tal do HIV.&amp;nbsp;Alguns diziam:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;—&amp;nbsp;Eu não bejo essas puta aí não, parcero, só deixo elas mamá, tá ligado... Duvido que eu bejo elas, duvido!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A &lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;,&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; em particular, tinha&amp;nbsp;um talento sobrenatural, diziam os garotos dessa favela. Seu trabalho, sua arte,&amp;nbsp;era defendido com unhas e dentes por alguns, e considerado serviço de utilidade pública por outros.&amp;nbsp;Era o caso do Soneca, um garoto metido a falcão,&amp;nbsp;eu diria um falcão frustrado, que não conseguiu entrar no crime, por causa do pulso firme e da marcação cerrada da mãe dele. Soneca era funcionário de uma padaria, convivia com os falcões da sua idade e, claro, usufruía dos benefícios que essas amizades concediam. Os benefícios&amp;nbsp;variavam, desde comprar relógios&amp;nbsp;em promoção relâmpago, talvez uns Ipod a preço de banana, ou, quem sabe, uns tênis para sua irmã, dados&amp;nbsp;por um falcãozinho que estivesse lhe&amp;nbsp;pagando algum favor. Pois bem, o Soneca me disse que o pai dele, assim como muitos pais nessa favela, o iniciou na vida masculina com uma boqueteira, quando ele completou&amp;nbsp;13 anos e já tinha vários pentelhos. Disse que os pais dessa favela preferiam as boqueteiras por duas razões:&amp;nbsp;uma, porque era baratinho, e a outra, porque não precisava ir na zona. E isso não deveria espantar ninguém, porque muitas gerações de pais passaram a vida esperando seus filhos completarem 15 anos para lhes dar o sonhado presente:&amp;nbsp;levar o filho na zona.&amp;nbsp;Hoje, esses serviços não são mais oferecidos para menores, mesmo acompanhados do papai.&amp;nbsp;Talvez esse seja mais um dos fatores que contribuem para o sucesso das boqueteiras nas favelas, local aonde a fiscalização do Juizado de Menores não tem tanta eficácia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Pensei que essa história desmontava a idéia de que essas moças trabalhavam só para os falcões, até que o Soneca emendou que as boqueteiras dessa favela só abriam exceção para irmãos e parentes próximos dos falcões, ou, como era o caso dele, para os que eram uma espécie de falcão sem asas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Mas, voltando a Eva,&amp;nbsp;os falcões diziam que essa menina&amp;nbsp;estava no ramo porque gostava do que fazia&amp;nbsp;e que, apesar de ela cobrar para “pagar” um boquete ou trocar um boquete por droga, adorava sua profissão; era uma espécie de Romário, que ficou rico fazendo o que gostava, só que, no caso da Eva, acho que ela continua dura.&amp;nbsp;Alguns falavam&amp;nbsp;também que ela e as outras boqueteiras gostam mesmo é de estar do lado dos falcões e de ter conceito com eles. Elas têm muitos codinomes: Maria-fuzil, Mamadinha, ou&amp;nbsp;simplesmente, boqueteiras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Eva era mãe. Uma mãe que, às vezes, me fazia pensar que&amp;nbsp;representava a realidade da instituição da família nas periferias de todo Brasil; a situação da família à beira da inexistência. Os alicerces foram derrubados pela liberdade ilusória, pela ausência dos pais. Mães que bebem, fumam, cheiram e se prostituem na frente de seus filhos, como se quisessem mostrar a eles o que é o mundo de verdade, dando seqüência a um ciclo vicioso interminável: filhos que vêem tudo a sua volta girar em torno das drogas, da bebida, do crime e da prostituição, que viram mães e pais que reproduzem esta mesma lógica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Aí a bola de neve rola favela abaixo, esmerdalhando a sociedade toda, deixando um rastro de destruição irreparável.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small; letter-spacing: -0.05pt;"&gt;Antes de encontrar a Eva, eu negociei com sua empresária. É isso mesmo, empresária; uma menina que não devia ter mais de 16 anos, linda, saia curta, blusa apertada, marcando os seios. Era impossível disfarçar a sensação que eles me causavam e, mesmo quando eu tentava, acho que o diabo pegava meu queixo e puxava para o decote dela novamente. Era nítido que ela sabia que era uma coisa de louco, e certamente se divertia com isso. Seus cabelos eram compridos,&amp;nbsp;tinha um&amp;nbsp;sorriso inesquecível, dessas meninas&amp;nbsp;com as quais a gente corre o risco de receber o título de pedófilo, para depois argumentar na delegacia que ela tinha cabeça e corpo de 18. Realmente, aquela garota era uma autêntica chave de cadeia. Mas nenhuma corte aplicaria a prisão perpétua;&amp;nbsp;seus dotes, suas vestimentas, suas provocações físicas e naturais deveriam ser levados em consideração, tinham que constar&amp;nbsp;nos autos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Nos encontramos de tarde. Eu estava com o Felha. Ele ficou afastado, porque eu tinha receio de ela ficar grilada se tivesse muita gente. Eu também tinha outro receio: de ela cobrar para facilitar a nossa vida e viabilizar a entrevista, e isso não seria possível. Bill e eu havíamos definido que nenhum centavo seria pago a quem participasse, sob qualquer alegação, e que a maior parte dos recursos gerados pelo projeto seriam investidos nas ações da Cufa, o que significaria devolver o resultado para as favelas. Se a menina empresária nos cobrasse, o projeto, infelizmente, seria abortado. Mas ela sequer tocou nesse assunto. Em nenhum momento falou em cachê para a sua contratada. Muito pelo contrário; disse que ia ajudar porque uns falcões tinham pedido para ela&amp;nbsp;colaborar. Para puxar assunto, perguntei quem tinha pedido. Ela citou&amp;nbsp;alguns nomes dos quais eu não me lembrava e falou do Soneca, o falso falcão. Disse que ele também deu a maior&amp;nbsp;força para Eva colaborar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A essa altura, a ingenuidade da menina desestimulava o meu instinto selvagem e predador. Ela passava a ter voz de menina mesmo; olhar de menina e, sobretudo, vocabulário de menina inocente. Eu passava a ter raiva de mim mesmo por ter permitido aqueles pensamentos sombrios. Passava a&amp;nbsp;culpar a minha mente por tamanha maldade. Ela parecia uma daquelas meninas que não se dão conta da armadilha, quando, por exemplo, nos ônibus lotados, algum malandro se oferece para segurar seus cadernos, só para garantir a presença de suas coxas bem próximas à&amp;nbsp;cara, ou pior, para lhes garantir que seus ombros adestrados alcancem o centro nervoso das ingênuas e lá permaneçam engatados, por mais que o ônibus balance até o limite, o ponto final.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A minha conversa agora era diferente, era com uma menina de verdade, apesar da profissão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Mesmo assim, eu precisava saber de algo:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;— Dora, você também paga?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;— O quê?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Eu não sabia se podia falar ou não,&amp;nbsp;mas falei.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;— Você também paga boquete?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ela imediatamente confirmou o que eu lia nos seus olhos:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;— Deus me livre, eu não faço isso não, eu só trabalho com ela, eu&amp;nbsp;não pago nada não!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Apesar de achar estranho e de não acreditar inteiramente, tamanho o envolvimento dela, fiquei feliz por ela não ser boqueteira. Talvez ela conseguisse um bom casamento por ali, sei lá, com um bombeiro, ou, com um pouco mais de sorte, com um dono de tendinha. Enfim, passei a torcer para que seu coração se apaixonasse por alguém da classe alta da favela. Continuei negociando a entrevista até que marcamos para o dia seguinte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;No outro dia, chegamos, como sempre, na hora marcada, e usamos a mesma estratégia: o Felha, com a câmera, ficou distante, aguardando a hora do bote. A&amp;nbsp;jovem empresária chegou, trazendo seu jeito de menina e uma timidez angelical, que eu já tinha&amp;nbsp;detectado na tarde anterior. Conversamos um pouco. A menina ligava para a Eva a cada dois minutos, fazendo pressão para que ela chegasse logo, e dizia que o moço tava esperando por ela. Enquanto nossa conversa rolava, as senhoras da favela, que passavam por nós, olhavam pra mim com uma certa reprovação. Ou, talvez, fosse neurose minha. Mas, se não fosse, as senhoras certamente deviam achar que eu também estava na putaria.&amp;nbsp;E, de fato, talvez eu estivesse na tarde anterior, se a minha jovem empresária tivesse conduzido a nossa conversa para outro rumo. Ou talvez preso, ou quem sabe feliz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Por fim a nossa Eva chegou. Ela veio com uma saia curta preta, cinto prata,&amp;nbsp;usava uma blusa de algodão vermelha e um colar de bolas grandes e amareladas. Tinha o&amp;nbsp;cabelo preso e molhado.&amp;nbsp;Ela cumprimentou a sua empresária e me ofereceu um sorriso amigo e fraterno.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ela devia ter&amp;nbsp;lá seus 20 anos, era morena. Para quem é mais velho, ela lembrava a Índia Potira do programa do Chacrinha. Para quem é mais jovem, ela lembrava a Luana, aquela morena do programa do Luciano Huck. Seus olhos eram de peixe morto, nada diziam.&amp;nbsp;Antes da nossa conversa começar, ela disse que precisava fazer uma coisa rapidinho, tinha um menino esperando por ela, e que depois ela falaria comigo sem interrupção. E, na verdade, os falcões estavam voando baixo desde o primeiro momento em que ela colocou os pés na favela. Parecia que ia acontecer uma festa, o que me dava a certeza de que ela devia ser muito boa na sua praia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Perguntei a ela se estava indo fazer algum trabalho e se eu e o Felha podíamos ir junto. Ela perguntou quem era o Felha. Apontei para o outro lado da rua, e o Felha estava sentado, com a câmera digital, disfarçando.&amp;nbsp;Ela olhou para sua empresária, olhou pra mim e, antes que respondesse, eu disse:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;— O Felha é nosso amigo, é ele quem vai nos acompanhar.&amp;nbsp;­Vamos lá, vamos começar agora?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0.15pt;"&gt;Ela não respondeu e começou a andar. Aderi&amp;nbsp;imediatamente ao conceito “quem cala consente”, fiz sinal para o Felha, que se juntou a nós sorrateiramente, e fomos atrás.&amp;nbsp;Eva caminhava devagar em direção ao norte da favela. Ela não disse com clareza, mas tudo indicava que estava indo ao encontro de um falcão. Eu já havia falado com vários daquela favela, conhecia muitos pontos de entradas e saídas. Agora&amp;nbsp;nossa missão seria convencer esse falcão a ser filmado, tarefa nada fácil. Felha ligou a máquina e começou a filmar, mesmo de longe.&amp;nbsp;Eva caminhava e olhava para trás, parecia ter começado a se acostumar com a idéia de ser filmada. O risco agora era na hora do ato, na hora do Kekéti.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 9.9pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ela chegou num ponto de observação dos falcões, um local estratégico de onde eles vigiam a favela.&amp;nbsp;Passou por baixo de uma cerca de arame farpado. De longe, vi que havia dois falcões. Eram conhecidos meus, mas não sabia se aceitariam a nossa presença. Sabemos que o tabu do crime era mais fácil de ser quebrado do que o tabu de uma possível ejaculação precoce, para aqueles jovens.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 9.9pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Eva se misturou aos rapazes sem muita cerimônia. Trocou beijos formais no rosto,&amp;nbsp;pareciam gafanhotos em noite de núpcias:&amp;nbsp;os machos ficam de longe, como quem não quer nada, as fêmeas fazendo cu doce, como quem quer menos&amp;nbsp;ainda. Mas, no fundo, estão todos cheios de tesão, à espera de serem abatidos, um pelo outro. Em breve os três iriam deixar essa formalidade e entrar em transe sexual, e alguma coisa precisava ser dita. Nós não podíamos simplesmente ficar ali, sem dizer nada. Os rapazes&amp;nbsp;estavam prontos&amp;nbsp;para atirar, não em nós, mas na boca da boqueteira, e&amp;nbsp;eu tinha duas opções: ou me retirava antes de ser convidado a sair, ou me adiantava e pedia para ficar. Foi o que fiz. Me aproximei, pedi licença, passei por cima da cerca,&amp;nbsp;e fui desenrolar com eles. Deixei o&amp;nbsp;Felha filmando ao lado da silenciosa produtora de gargarejo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 9.9pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Dei meu papo, desenrolei com eles sobre&amp;nbsp;os documentários, que eles já conheciam, e falei que gravar aquelas imagens seria muito bom para o nosso trabalho.&amp;nbsp;Eu não podia falar muito nem eles queriam ouvir muito o que eu tinha para dizer. O que eles queriam mesmo&amp;nbsp;era descarregar a leiteira,&amp;nbsp;e quanto menos eu falasse, quanto mais rápido eles aceitassem, melhor pra todo mundo, já que eu deixei claro que, se fosse preciso, ia insistir na filmagem até o tesão deles passar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A boqueteira não esboçava nenhum sentimento. A impressão era que ela dançava com qualquer música. Os rapazes se entreolhavam e olhavam para o Felha que estava longe, filmando.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;— Celso, os amigo tão ligado que tu taqui?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;— Tá todo mundo ligado, tá tudo dominado, mané! Tá tranqüilo!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;— Já é, então, neguim! É nóis... mas não mostra minha cara não, valeu!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;— Já é! —&amp;nbsp;eu disse, demonstrando que meu vocabulário estava atualizado, pois temos que falar todas as línguas para sobreviver nessa selva!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Fui ao encontro do Felha, que continuava filmando, e fiquei perto dele e da garota, vendo tudo de longe. Seria muito abuso ficar ali do ladinho. Passei a observar tudo pelo&amp;nbsp;zoommmmmmm sexual da máquina digital, PD 170 da Sony.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Os garotos eram novos, mas com peroba de adulto e virili­dade de rapina. Não era só isso, a tese da possível ejaculação precoce também foi radicalmente derrubada,&amp;nbsp;a boqueteira teve que suar,&amp;nbsp;e muito, a&amp;nbsp;camisa com os garotos. Certamente a maconha que eles estavam usando devia retardar consideravelmente o gozo. Não sei o valor do boquete, sei que os garotos aproveitaram até o último centavo. E o dinheiro era bem usado, se considerar a alegria deles ao acariciar os cabelos e a nuca dela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Eu observava cada detalhe, cada olhar, e vez ou outra, eu olhava pra empresária, para ver o que ela sentia. Ela parecia anestesiada, insensível, indiferente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Os três foram bem diretos. Não houve nenhuma relação preliminar entre eles; nada de carícias, nada de toques, carinhos ou palavras de amor, ainda que mentiras de amor. A boqueteira era objetiva. Eles também não pareciam ter todo o tempo do mundo, até porque estavam em horário de trabalho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A relação da Eva não era com os meninos, e sim com as suas mandiocas. Qualquer carinho feito nos seus mastros não deveria ser confundido com carícias em seus proprietários, e assim foi feito. Eva tratou de alisar a frente dos shorts dos meninos, fazendo saltar ainda mais os bichos que já estavam sobressaltados. Em seguida, ela invadiu o short e as cuecas dos dois ao mesmo tempo. A essa altura, eles não se importavam mais se estavam sendo filmados em close, ou em corpo inteiro, se os bruxos iam invadir a favela, se os alemão estariam atacando, ou mesmo se seus supervisores estavam prestes a passar. Tinha começado a putaria e nada é mais importante do que esse momento. Muitos filhos nasceram por conta dessa falta de controle; enquanto não segura na cabeça do&amp;nbsp;pimpolho, existe chance de equilíbrio, mas depois do contato direto, fudeu, o mundo pode acabar que os falcões não estão nem aí.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small; letter-spacing: 0.2pt;"&gt;Agora os cacetes dos rapazes estavam inteiramente de fora, correndo risco de pegar até um resfriado. Eva&amp;nbsp;começava a sair da fase serena e entrava no ciclo da agressividade,&amp;nbsp;alternan­do uma&amp;nbsp;cafungada em um e no outro, para estimular sei lá o quê!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A boqueteira mordia os ovos dos meninos, que pareciam cães no cio. Foi subindo, alternando um e outro, e passou a fazer jus à fama, passou a boqueteá-los com maestria. Talvez estivesse caprichando para não fazer feio diante das câmeras.&amp;nbsp;O transe deles me trazia à mente histórias sobre o Santo Daime, nem sei se tem mesmo a ver, mas é o que me passava na hora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Eles se esqueceram da câmera, o Felha foi se aproximando, e agora o ato era compartilhado por todos nós, menos pela empresária, que ficou no mesmo lugar.&amp;nbsp;Não sei se&amp;nbsp;por disciplina profissional, ou por receio de deixar transparecer uma eventual excitação diante da cena sexual.&amp;nbsp;O fato é que ela ficou lá, parada, fazendo de conta que nada estava acontecendo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Eva parecia que ia quebrar o&amp;nbsp;sorvete dos meninos homens, ela puxava pra cima, mordia, apertava, batia,&amp;nbsp;eles pareciam o homem borracha. Eva parecia uma selvagem e era. Ela era tudo que eles queriam: selvageria insana em local não apropriado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;No fundo, eu tinha a impressão de que ela curtia a semi-orgia tanto quanto eles.&amp;nbsp;Ela era melhor do que as mulheres dos filmes pornográficos que eu tinha visto salivar, era uma profissional da língua, realmente ela vendia felicidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;— Hummmm hummm hummm!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Era o falcão mais clarinho gozando. Ele gemia bem baixinho, quase inaudível.&amp;nbsp;A boqueteira tirou a boca e começou a tocar nele uma punheta caprichada, sem tirar a mão do outro garoto. Parecia que o rapaz ia morrer. Eu não sabia o preço do ato, mas se os rapazes tivessem um talão de cheques naquele momento, assinariam as vinte folhas e entregariam para ela em branco, sem pestanejar!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ele gozou, e ela, como uma enfermeira paciente e experiente, passou a massagear o bilau do garoto na tentativa de esvaziar do canal pirocaneano os resíduos de porra que lá estavam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Eva largou o clarinho, como um soldado numa guerra que acabara de abater mais um, e passou a perseguir a próxima vítima. Seu olhar de peixe morto parecia, contraditoriamente, mais morto do que antes. Agora ela passava a tratar do rapaz pretinho. Eva não parecia se intimidar com nada,&amp;nbsp;sua língua tinha a velocidade de uma batedeira de bolo e o ódio de um leão selvagem, depois de pegar a sua leoa no mato com um carneiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Mas o&amp;nbsp;Black Falcon parecia estar morto. Estava de pé, mas não parecia ter vida. Ele segurava na mão direita sua inseparável pistola e,&amp;nbsp;com a mão esquerda, a janela do barraco, seu posto de vigília. Por fim,&amp;nbsp;o&amp;nbsp;falcão negro&amp;nbsp;chegou ao seu sonhado orgasmo, que parecia, de verdade, ser o último, e se fosse, naquele momento não faria a menor diferença.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Eva tinha finalmente terminado seu trabalho. Tinha feito bonito novamente, e, claro, tinha garantido mais uma próxima visita, talvez no próximo plantão daqueles senhores com idade de meninos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small; letter-spacing: 0.05pt;"&gt;Ela cuspiu para o lado duas vezes enquanto os rapazes espremiam suas pirocas até que saíssem as últimas gotas de leite, evitando, assim, manchar suas sungas.&amp;nbsp;Depois de cumprirem esse ritual, levantaram seus shorts, tudo devidamente acompanhado pelo Felha, e se dirigiram até a empresária.&amp;nbsp;Não vi se pagaram com dinheiro ou com droga, mas ficou nítido um acerto entre eles.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small; letter-spacing: 0.15pt;"&gt;Em seguida,&amp;nbsp;já refeitos e felizes, pediram para a Eva meter o pé. Ela não discutiu, começou a andar.&amp;nbsp;Dessa vez, não beijou o rosto dos meninos, ela parecia alterada, depressiva, triste. Começamos a caminhar com ela. A empresária se juntou a nós e fomos para a nossa entrevista. Antes, ela pediu para eu esperar mais um momento, disse que precisava dar um peteleco.&amp;nbsp;Eu disse que podia dar durante a entrevista, que eu não me ­importava.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Chegamos numa escola de samba, onde aconteceria a conversa,&amp;nbsp;e a primeira coisa que ela fez foi pedir para a empresária ir para casa. A segunda foi o tal do peteleco, e a terceira foi começar a me responder as perguntas sobre sua vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Entretexto" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 17pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Entrevista com Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Entretexto" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 14.15pt 0cm 8.5pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Por Celso Athayde&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 9.9pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Como você começou a visitar os falcões na boca?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Eu comecei assim tipo, né, curtindo baile. Eu vinha pro baile, aí nisso eu conheci um garoto aqui, comecei a sair com ele. Sempre vim aqui atrás dele, nunca achava ele, né... porque eles são tudo cheio de mulher, aí saí com o colega dele.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 9.9pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Como eles te receberam?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal; letter-spacing: -0.05pt;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal; letter-spacing: -0.05pt;"&gt;: Eu não sabia como lidar com bandido, aí os bandido me perguntaram se eu tava saindo com ele mesmo, se eu tava querendo ficá com ele mesmo, aí eu fiquei com ele... e com outros depois, aí nisso comecei a ficar saindo com um e com outro, entendeu?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 9.9pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: E por que você fazia isso?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal; letter-spacing: -0.2pt;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal; letter-spacing: -0.2pt;"&gt;: Eu sempre tive meu vício assim de cheirar, né... que eu não sou muito fã de maconha... aí ficava saindo com um e com outro aí... aí, uns me dava pó, outros me dava 5 reais, tá me entendendo? Aí tudo bem, eu fiquei, fiquei trabalhando aqui na favela... aí, depois todo mundo ficou ligado qual era da minha. Eu conheci uma colega também, a Lora, que me levou pra pista. Ela não trabalhava em favela não, só na pista, tá me entendendo?&amp;nbsp;Só que eu não gostei da pista não, não me adaptei não, aí saí da pista, vim pra cá. Tô aqui até hoje, trabalhando com os falcão. Saio aqui, ali, mas não se apaixono por nenhum deles. Mas não é só eu não, têm várias garotas que fazem isso que eu faço,&amp;nbsp;tem as batalhão também!&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 9.9pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: O que é isso?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: São as menina que dão prum monte de cara na mesma hora, não muitos não.&amp;nbsp;Tipo assim, cinco, seis caras... e as mina recebem deles.&amp;nbsp;Mas eu não faço isso não. A minha é outra, eu comecei só fazendo o que eu faço hoje, é assim, assim que se começa. Você faz amizade, você vê uma amiga fazendo... você, pra não ficar sem graça, você faz também... fui querer imitar também pra num ficar sem graça. As outras me chamava de lerda, de bobona, queria me diminuir, eu quis ser melhor do que as outras... a gente sempre quer ser melhor do que os outros, né? Aí...&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Tem quanto tempo?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal; letter-spacing: -0.2pt;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal; letter-spacing: -0.2pt;"&gt;:&amp;nbsp;Um ano... vai fazer. Já tem quase um ano, já acostumei. Daí, agora já levo já numa brincadeira. Não tem esses negócio de gostar, de se apaixonar,&amp;nbsp;nem de prejudicar eles. Porque a gente sabe que eles têm mulher. Eu sei que eles têm mulher e que eu tô aqui mais pra fazer meu papel, que eu acho que é meu papel que eu tô fazendo. Eles me fortalecem alguma coisa e eu fortaleço eles também.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: O que é fortalecer&amp;nbsp;pra você?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Ah, numa droga... num dinheiro... ou alguma coisa que eu pedir, tá me entendendo? Numa casa pra eu ficar às vezes. É que eu saí de casa sem necessidade, porque eu tenho dois filho. Aí, eu saí de casa sem necessidade, aí vim pra cá e tô aqui até hoje.&amp;nbsp;Mas eu tenho uma casa em outra favela... tá com a minha mãe. Ah, eles vive bem. Um com a minha mãe e outro com o pai dele. Minha mãe não sabe o que eu faço não... ela não sabe nem que eu cheiro... ela não sabe que eu tô aqui, saindo com um e com outro. Que eu sou isso tudo que eu sou. Ela&amp;nbsp;nem imagina.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: E como é o relacionamento com os caras?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Tem uns que não me dá nada. Eu saio, me engana e não me dá nada. Eu vô lá, pago um boquete neles, faço meu papel com eles e depois eles marcam, mandam eu ir na boca pegar meu dinheiro e não me dá nada. Às vezes querem até me agredir. Acontece muito isso... eles sabe qual é a minha, que eu gosto mermo de fazer essas coisas que vocês sabe... né, de fortalecê eles mermo, sair com eles mermo. Que se me procurar ou eu tô aqui ou eu tô ali, mas eu tô aqui dentro da favela mermo. Não sei de nada, tá me entendendo... só não fico perto de conversa errada... ainda mais eu, que cheiro, e às vezes bate neurose,&amp;nbsp;as neurose são fogo, às vezes eu fico louca, louca.&amp;nbsp;“Meu Deus, será que eles quer me matar? O que&amp;nbsp;eles tá pensando de mim?” Eu fico pancadona, é fogo.&amp;nbsp;É... depois que você cheira você fica assim... tipo... assim, você fica nervosa... eu fico nervosa... eu acho que as pessoas quer me matar... eu acho que as pessoas quer me usar.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Você tem medo?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Medo? Medo a gente tem, né, porque a gente não&amp;nbsp;sabe qual é da cabeça deles, o que eles pensam. Ainda mais uma puta. Tipo assim... muitas mulheres queriam fazer o que eu consegui fazer... porque eu acho maneiro do jeito que eu consegui conquistar assim as partes daqui dessa favela, tá me entendendo? Todo mundo me conhece. Tem lugar que eu tenho o meu respeito, tem lugar que os outros já leva na brincadeira. Eu até tenho medo sim, mas o que eu sinto mermo é uma felicidade no meu coração. Falo do fundo do meu coração. A única coisa mermo ruim é a cocaína, ela é muito ruim. Quando eu fico pancadona, o medo aumenta, fica tudo escuro.&amp;nbsp;Meu coração bate rapidinho, fico gelada, aí dá medo, eu acho que todo mundo vai me matar, que os menino vai tudo me matar e quanto mais tu cheira, tu quer mais é cheirar... quanto mais tu vê, mais tu quer. É isso. Mas nunca roubei, nunca fiz nada disso...&amp;nbsp;meu medo sempre passa, meu medo vai passar.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Você faz o seu trabalho na boca de fumo?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Na boca não. Tipo que, ontem, um colega da boca botou o piru pra fora, aí queria até que eu fizesse... só que eu fiquei tão sem graça que era muita gente. Eu achei que eles ia querer também e por causa dos morador e por causa das mulher deles eu não fiz. Mas cheguei botar a boca, mas larguei na mesma hora. Eles sempre me leva pra uma escada, pra uma casa, pra um lugar que dá pra mim fazer. Atrás de um carro... aí eles goza e acabou o serviço. Mas também só faço as minhas coisas de camisinha... por causa da doença. Tem isso também... eu uso tóxico, cheiro, eu bebo... Então eu saio com muito home, então tem que ser... eu faço de tudo também, de tudo... tudo.&amp;nbsp;Eu uso o corpo todo... sem limite... entendeu? Mas muita gente me conhece mais por causa da minha boca, da mamada. Nem todos saiu comigo pra me comer... mas é da minha boca que eles gosta, eles me chama para ir ali ou aqui rapidinho e eu sempre vou.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Acho que eles tão na pista na noite e fica sem ter o que fazer, aí gosta da minha mamada e me chama por causa da minha mamada, que eles adora. Nem sei como que eu aprendi... aprendi fazendo. Aí, de tanto eles falar que gosta, que pega aqui, ali, pra chupar aqui e ali, eu aprendi. Aí eu falo:&amp;nbsp;“O que você tem pra me dar?”&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&amp;nbsp;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Aí eles falam:&amp;nbsp;“Pô, eu tenho aqui um pó, eu tenho 5 reais, eu tenho 10 reais!!!”&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext2" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Aí eu vou... eu nunca falo não... é um negócio sem limite... eu não tenho limite. Se começar agora, eu não quero saber que hora vai acabar. Não tenho limite. Eu nem acredito que eu faço isso tudo sozinha! É muito home pa uma mulher só... muito home pa uma mulher só...&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Com quantos caras você saiu num só dia?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: IIIIhhhh... é muito home que eu saio... é toda hora... mas só dentro da favela, só falcão... é vários home. Tipo vários mesmo, oito, nove... e eles me chama, eles gosta de me chamá e eu vô lá quando eles me chama. Eu não paro... eu só paro lá pras madrugada, quando a boca de fumo tá fechando... tá entendendo? Porque eu ando, ando todas as favelas até eu fazer um dinheiro maneiro pra mim comprar minha droga, pra mim ter o meu dinheiro pra mim comer, pra eu não pedir a minha mãe.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Quanto você ganha?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Ganho por dia. Aí, às vezes, eu faço um galo, às vezes eu faço 40, o menor dinheiro que eu faço é 15 ­reais... 15, é quando eu não quero fazer nada. Mas eu faço um dinheiro, eu gasto, aí eu faço de novo, aí, gasto, aí quando vejo de novo no outro dia, tô com um real... se tiver com um real. Aí vou pra casa da minha mãe, almoço, janto, e volto pra cá.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Você tem alguma preferência?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Não, tem não. Quero fazer meu dinheiro, comprá minha droga. Já fiz sexo aqui com menino de 13 anos... 13... foi legal. O primeiro foi de 13 anos, aí o segundo foi aquele lá!&amp;nbsp;(ela aponta para um rapaz com um rifle, que aparenta ter 17 anos)... foi meu segundo... que eu sempre saio. Sempre saio com todos ainda, todos. Eu não diminuo ninguém por causa de idade. Saio com novinho, saio com mais velho, não tem idade não, eles são muito experiente pra&amp;nbsp;idade deles. Os meninos aqui são muito experiente. Aqui, os meninos novinho, aqui, de 12 anos, já são bandidos, já tem imagem de bandido. Já tem a voz grossa, já é homi feito... eu acho. Aqui nesse mundo do tráfico, eu vejo eles como homi, respeito eles como homi... mas lá fora, eu vejo eles como uma criança que tá com a vida perdida, que não tá aproveitando nada... porque eu era da vida lá fora. Agora tô aqui dentro, tô com a minha vida parada. Aqui o negócio que tu vê é tráfico de drogas, só isso... drogas e mais nada... Dizem que a solução é só você entrar numa igreja, né... alguma coisa assim. Ou você viajar pra algum lugar bem longe. O negócio é você não querer procurar saber quem é a pessoa. O negócio é você fazer. Eu não quero saber que eles são bandido, ou o que deixa de fazer, eu quero saber de mim. Eu não saio com eles por causa das armas dele. Se eles tão sem arma eu tô saindo, se eles tão com arma eu tô saindo. Não é arma não, é o dinheiro, é a droga, eu gosto mesmo é desse lugar.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Como foi a primeira vez que você saiu com um cara aqui nessa favela?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Tipo que na primeira vez que eu saí foi com um menino, que eu saio até hoje, eu aprendi com ele, eu usava pó com ele, eu me escondia com ele, eu gostava dele.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Aí um dia eu vim atrás dele, ele não tava aí... aí, saí com o colega dele, depois disso, mandaram me chamar na boca, porque eles queria um matar o outro por causa de mim. Aí, o dono da boca mandou me chamá e eu desenrolei com ele, falei que eu não era de ninguém, que eu era da boca, que&amp;nbsp;eu queria trabalhar na boca, para os menino da boca. O dono da boca mandou todo mundo embora e todo mundo teve que sossegar o rabo.&amp;nbsp;Vado, esse colega dele, me chamou pra me dá conselho,&amp;nbsp;até hoje ele me dá conselho. Ele diz&amp;nbsp;que&amp;nbsp;não acha bonito eu cheirando. Muitos desses garotos&amp;nbsp;não acha bonito eu cheirando.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: E as drogas?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Drogas... vai fazer um ano que&amp;nbsp;eu já cheguei&amp;nbsp;a me&amp;nbsp;perder por causa de drogas... porque eu faço um dinheiro pra mim poder depois gastar tudo em pó. Emagreci muito de tanto cheirar, que eu cheiro muito... é fogo. Os meninos mermo fala que cocaína leva pro inferno. Que tem que saber usar, se controlar. Eu não acho que sou descontrolada. Assim, eu saio com os outros por causa disso, mas eu não me acho descontrolada por causa de pó. Às vezes eu me arrependo e pergunto pra mim mesma: “Que futuro é esse?”&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext2" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Era pra mim estar em casa com os meus dois filhos, arrumar um&amp;nbsp;marido, ter um marido homi,&amp;nbsp;meus filhos são todos novinho... um é de um ano, outro é de 2 anos... aí, eu vivo nessa... Eu tô aqui, minha família pensa que é uma coisa e eu tô fazendo outra. (Longo silêncio) Pensa que eu tô aqui trabalhando em casa de família, tipo assim... aluguei uma casa e tô nela. Minha mãe tem vontade de vim aqui, só que eu não deixo. Ela vai saber as coisas que eu faço.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Como é a sua mãe?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: A minha infância, eu fui criada com minha outra mãe. Minha mãe é funcionária do município, só que ela bebe muito, então eu nunca gostei de bebida, nunca gostei desse ambiente dela e nisso, depois que eu vim embora de Volta Redonda pra cá pro Rio, eu vivi nas bagunças dela. Eu via muita coisa errada que ela fazia. Então eu pensava assim: “Será que um dia eu vou ser mulher de bandido?” Eu achava assim, eu via&amp;nbsp;muita colega da minha mãe sendo mulher de bandido. Eu achava que era um bom negócio, que dava dinheiro, essas coisa assim. Eu achava legal. Aí depois, quando eu me envolvi, eu vi que não era nada daquilo que eu pensava, é a perdição. Minha mãe também nunca foi interessada de saber se eu estava estudando. Eu engravidei. Engravidei uma vez. Tive meu filho. Aí falei pra minha mãe, minha mãe trabalhava em hospital, falei pra minha mãe tipo que eu queria tomar um remédio, essas coisas assim. Ela não... ela não ligou muito não... aí engravidei de novo. Tipo que meu outro filho não é do mesmo pai. Ele assumiu mas não é dele próprio. É de um outro menino que morreu. Ele morreu numa troca de tiro.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Os dois filhos são de bandido?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Um só, o outro não. O outro é de um 157. O pai do meu filho eu conheci com 12 anos.&amp;nbsp;Quando eu engravidei, ele me largou, não sei por quê. Eu acho que ele não queria nenhum filho comigo. Eu não sei qual é a da cabeça dele, aí ele me largou e a gente tentou voltar depois que meu filho fez 7 meses. Aí eu larguei meu filho pra ir morar com ele, porque ele não queria meu filho junto com a gente. Aí a minha mãe sempre criou meu filho, sempre pagou alguém, né, porque ele saiu do meu peito cedo. Aí a gente desmanchou novamente, a gente não deu mais certo. Aí eu fui prum baile funk na favela da Chatuba e conheci o Cocada que agora é morto, tá me entendendo? Aí engravidei dele, aí tenho um filho dele que já vai fazer 2 anos agora em setembro. Ele não registrou porque não deu tempo.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;:&amp;nbsp;Seu marido fazia o que mesmo?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Roubava, 157. Roubava. Não via meu filho. Meu filho não tem convivência de pai. Nem de mãe, né... Que a mãe tá aqui, que o pai não sabe nem onde que tá... um pai morto e outro, sei lá aonde tá... Aí é que eu arrumei um menino que tipo assim, que&amp;nbsp;assumiu meu filho... um menino que eu namorei depois que eu engravidei desse segundo. Mas não demorou muito e colei com outro menino. A minha tia diz que isso é doença minha, mas eu sei que não é não, tem um montão de artista que é assim, que gosta de gente mais novinha. Arrumei um outro que assumiu&amp;nbsp;meu filho, ele pensa que é dele, mas não é dele. Aí registrou esse meu filho que não era registrado, esse meu filho que vai fazer 2 anos e mora com ele. Aí eu vejo porque é perto da minha casa. A diferença é de um broco pro outro.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: O que pensa que vai ser o futuro dos seus filhos?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Dos meus filhos? Aí, se depender da minha mãe, eles vão ter um futuro bom, tá me entendendo. Depender de mim... não sei... eu acho que o que eu passo, eu não quero que eles passem... mas também abandonar meus filhos, eu também nunca vou abandonar. Eu sempre vou tá do lado, agora tô longe, mas tô me preparando para ficar com eles. Por isso que não brigo com minha mãe, ela ajuda muito, eu falei dela, mas não tava julgando ela não, era só lembrança, não tava criticando não. As pessoas procuram o caminho da rua quando a mãe briga. Tem uns filhos que ainda faz safadeza, acontece muito isso, tem até aqueles que gosta mesmo é de enfrentar&amp;nbsp;a mãe.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; &lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eu nunca me dei certo com a minha mãe, mas não critico ela não.&amp;nbsp;Só tenho que agradecer, minha mãe queria que os pai dos meus filhos fosse tudo trabalhador, mesmo que fosse um pedreiro de obra, lavador de carro, alguma coisa, mermo que fosse um menino, acho que ela aceitava, um menino que vendesse bala no sinal, mas que depois voltava pra casa, que dormisse em casa. Mas não essa vida do tráfico assim. Isso é muito triste... a gente não sabe se a gente dorme... se a gente vai dormir hoje se a gente vai acordar... A gente não sabe se a gente vai ali e vai voltar. Eu posso falar porque eu me considero envolvida até demais. Eu me preocupo, eu fico na boca conversando. Eu vou nas contenção, fico perto, fico perto deles. Converso com eles até certa hora, até amanhecer. Porque eu dou força. Eu acho que eu tando junto, que eu tô ajudando ele a ver um rumo. Então essa é a minha forma de tá protegendo eles, não sei, eu penso assim.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;(Silêncio. Ela fixa o olhar no chão de cabeça baixa.)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal; letter-spacing: -0.05pt;"&gt;Eu tenho pena dos meus filhos, de ter botado dois filhos no mundo pra botar eles pa sofrer... porque acho que é um sofrimento. Meus filhos são tudo novinho, pequenininho e precisa de uma mãe do lado. E eu não dou esse carinho, né, e eles estão precisando.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: E seu pai?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Não conheço... já nasci sem pai, não sei onde que ele tá. Não conheço não.&amp;nbsp;Eu tenho vontade de conhecer ele. Bem, tipo né, a minha mãe tem um trauma, meu irmão tem um trauma. É um trauma que eu não tenho. Que, tipo, a minha mãe falou que quando o meu irmão era novinho e ela tava grávida de mim, ela pegou o meu pai com outro homi na cama. Então minha mãe tem um trauma... até hoje, minha mãe não tem homi nenhum. Ela só trabalha, ela gosta de beber a cerveja dela, mas homi mesmo ela não arruma. E eu não tenho essa vergonha de ter um pai viado. Respeito ele como meu pai, mas não conheço.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Você não tem preconceito?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Eu não, já tem&amp;nbsp;muito preconceito com viado, com puta. As pessoas não bebe do mesmo copo que&amp;nbsp;eles tão&amp;nbsp;bebendo, as pessoas não fuma do mesmo cigarro, as pessoas não fuma a mesma maconha. Só as pessoas mesmo que é já amiga mesmo. Que tá sempre do seu lado e vendo como você é. Por isso que eu não posso ter preconceito com meu pai que eu não conheço, que eu sei que é viado, porque eu sô puta, e as pessoas tudo têm preconceito.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Você acha que sofre preconceito?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal; letter-spacing: 0.1pt;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal; letter-spacing: 0.1pt;"&gt;: Eu acho que eu sofro sim. Onde eu chego as mulheres já saem tudo pra fora, tipo, tem dia que eu penso que elas quer fazer tipo aquela multidão pra me pegar. Já teve caso deu estar aqui na favela e a mulher de um cara bater na minha porta, fazer um show! A sorte é que tinha muito homi na minha casa e ele passou batido, como se ele não tivesse fazendo nada comigo. Que só tava ali mesmo de bobeira, pra poder vigiar na porta pra não entrar mais ninguém... As mulheres dos caras, elas têm que aceitar que a gente sai com eles mermo.Tem que aceitar porque eles qué assim, eles são assim. Então as mulé deles não têm que ficar arrumando confusão não, e nem ter preconceito contra nós. Mas eu sou muito criticada. As mães não gosta que as filhas anda comigo, pensando que eu tô levando elas pro mau caminho.&amp;nbsp;Eu também não gosto que mexem com as minhas amigas, principalmente com a Terezinha, minha empresária, ela não faz o que eu faço não. Quando começam de gracinha eu já falo mermo que ela não é disso, mando o papo reto logo. Quem faz isso sou eu. Ela tá vindo comigo pra poder guardar o meu dinheiro pra mim, porque se deixar na minha mão, se eu for ver eu nem cobro nada. Vou sair fazendo, fazendo, fazendo. Cheirando, cheirando, fumando lá o que tem que fumar, bebendo e venho embora. Aí no outro dia tô com fome porque a gente só pensa naquele dia que a gente tem. A gente não pensa no outro dia.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Você já trabalhou?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Não, nunca trabalhei na minha vida. Eu, nunca. Eu não sei o que é lavar uma roupa. Saio daqui e levo roupa pra minha mãe lavar. Minha mãe já sofre comigo já há sete anos. Pô, com 12 anos&amp;nbsp;colei com um cara, ainda novinha, larguei escola, larguei tudo pra viver com ele, sete anos. Depois me envolvi com mais outro. Engravidei. Só fiz merda. Depois tive que esconder da família toda do outro que ele não é pai. Só agora que ele sabe. Depois de meu filho grande. A gente nem se fala mais. Ele ficou muito revoltado. Porque eu podia falar isso desde o começo e não tive coragem. Ele já me pegou grávida e ele falava pra todo mundo que o filho era dele. A gente só não se fala, mas ele considera a criança como filho dele ainda. Graças a Deus.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Celso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Você acredita em Deus?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="Bodytext" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 10.75pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Eva&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;: Eu acredito! Muito...&amp;nbsp;Deus é tudo... é quando a gente tá no sufoco, a gente precisa mais ainda, tipo assim, a gente tá no perigo, a gente logo pensa em quem? Em Deus. “Deus, me tira daqui pelo amor de Deus... o que que eu tô fazendo aqui?” Deus pra mim é tudo! Primeiro ele. Tudo o que acontece comigo eu penso logo em Deus.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/203134435176894565-2588674759246143228?l=dorab2010.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dorab2010.blogspot.com/feeds/2588674759246143228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/10/boqueteira_18.html#comment-form' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/2588674759246143228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/203134435176894565/posts/default/2588674759246143228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dorab2010.blogspot.com/2010/10/boqueteira_18.html' title='A Boqueteira'/><author><name>Dora B</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15208476052595048514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry></feed>
